COMPARAÇÃO ENTRE O PAINEL HEMOCULTURA BIOFIRE® E O MÉTODO CULTURAL CONVENCIONAL NA IDENTIFICAÇÃO DE MICRORGANISMOS EM HEMOCULTURAS POSITIVAS

1º Autor: Margarida Freitas

ULS Alto Ave

Coautores: Sofia Novo, Paula Mota – ULS Alto Ave

Introdução: A identificação rápida e precisa de microrganismos a partir de hemoculturas positivas é crucial para o tratamento adequado e atempado de infeções graves, como a septicemia. Tradicionalmente, a identificação microbiana é realizada a partir de colónias recuperadas em exame cultural. No entanto, o desenvolvimento de novas tecnologias de Biologia Molecular, como o painel hemocultura FilmArray, BioFire®, promete acelerar o processo de diagnóstico, permitindo uma identificação mais rápida dos agentes patogénicos diretamente a partir das hemoculturas positivas. Este estudo visa comparar os resultados obtidos no painel hemocultura FilmArray, BioFire® com o método cultural convencional a partir de hemoculturas positivas.

Métodos: Foram estudadas amostras colhidas entre 1 de junho de 2023 e 30 de junho de 2024 de hemoculturas de doentes de uma Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes com suspeita de bacteriemia. Foram selecionadas para realização de painel de Biologia Molecular amostras de doentes com mais de uma garrafa de hemocultura positiva e cujo exame direto pelo método de Gram indicasse a provável presença de um microrganismo patogénico. As 28 amostras selecionadas foram submetidas a dois métodos de análise microbiológica: (1) o painel hemocultura BioFire®, que utiliza uma abordagem de PCR (Polimerase Chain Reaction) multiplex para a identificação rápida de uma ampla gama de microrganismos, e (2) o método convencional com sementeira em gelose de chocolate, seguido de identificação bacteriana por espectrometria de massa. Foi feita uma análise descritiva dos microrganismos detetados por ambos os métodos.

Resultados e discussão: Os microrganismos mais frequentemente identificados por ambos os métodos foram Staphylococcus coagulase negativos (11 casos em ambos os métodos – 38%), seguidos de bacilos de Gram negativo (9 casos no painel BioFire® e 10 casos no exame cultural). O género Enterococcus spp. foi identificado em 5 amostras no painel BioFire® e em 4 amostras no exame cultural. Ao contrário do exame cultural, que apenas recupera microrganismos viáveis, a abordagem por PCR é capaz de detetar material genómico de microrganismos não viáveis presentes na amostra, o que pode justificar a identificação adicional de agentes, quando os doentes estão sob antibioterapia, como verificado numa das amostras estudadas.

Conclusão: As metodologias de Biologia Molecular podem ser ferramentas eficazes na identificação rápida de microrganismos a partir de hemoculturas positivas, com uma sensibilidade comparável ao método convencional, mas com vantagens significativas em termos de tempo de resposta. Além da utilidade na identificação rápida dos microrganismos, o painel BioFire® inclui a deteção de genes de resistência a agentes antimicrobianos, o que poderá antecipar a otimização da terapêutica antibacteriana a instituir. As diferenças encontradas em alguns casos sublinham a importância que os métodos convencionais continuam a ter, no entanto, o uso combinado de ambas as metodologias poderá ter efeitos sinérgicos no diagnóstico etiológico de bacteremias no doente crítico.