1º Autor: José Marafona
Serviço de Patologia Clínica do Hospital da Senhora da Oliveira
Coautores: Gonçalo Torres; Margarida Tomaz; Paula Mota – Serviço de Patologia Clínica do Hospital da Senhora da Oliveira
Introdução: A Sífilis é uma doença sistémica, causada pela espiroqueta Treponema pallidum, que pode ser transmitida por via sexual e vertical. O aparecimento de testes treponémicos automatizados em regime de screening, permitiu inverter a sequência laboratorial dos testes realizados de modo tradicional (algoritmo reverso). Os testes automatizados possibilitam uma metodologia laboratorial padronizada e assim um diagnóstico mais rápido e sensível.
Material e Métodos: Estudo descritivo retrospectivo baseado na análise dos resultados de diagnóstico laboratorial de Sífilis, num laboratório de Patologia Clínica Hospitalar. Foram incluídos todos os testes realizados durante um período de 8 anos (entre 2016 e 2023). O diagnóstico laboratorial de sífilis teve por base o algoritmo reverso de rastreio de sífilis baseado na recomendação do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC). O algoritmo inicia-se com o rastreio do teste treponémico automático Syphilis Assay (Siemens, Muenchen, Alemanha), sendo considerados como positivos os testes com valor de > 1.1, seguidos de RPR (Human Geselischaft fur Biochemica un Diagnostica mbH, Wiesbaden, Alemanha). Confirmação das amostras por teste ELISA anticorpo anti-Treponema pallidum IgG e IgM (EATP ratio positivo > 1.1) (Euroimmun, Lubeck Alemanha). Resultados: Foram realizados 21030 testes rastreio treponémicos dos quais 1721 foram positivos (8,18%). Relativamente à origem dos pedidos de teste: 48% foram no contexto de consulta externa; 37% no internamento e 15% em serviço de urgência (pré internamento). Analisando a distribuição de testes realizados por ano: 4085 testes em 2016; 3996 em 2017, 3805 em 2018; 4462 em 2019; 3597 em 2020; 4489 em 2021; 4757 em 2022 e 5087 em 2023. No que diz respeito à distribuição dos testes por sexo: as mulheres correspondem a 64% dos testados, mas apenas 28% dos testes foram positivos. Fazendo a análise por faixa etária: os indivíduos menores de 18 anos corresponderam a cerca de 1% (1,17%) dos testes (3.75% dos positivos); o grupo entre 18 e 64 anos – 80% dos testes (63% dos positivos) e os sujeitos maiores que 65 anos com 18% dos testes (33% dos positivos). Observa-se ainda um aparente aumento da detecção do número de casos positivos nos anos de 2021 (318), 2022 (365) e 2023 (373).
Discussão: No intervalo de tempo analisado, o número de testes realizado revelou tendência para testagem crescente, com excepção do ano de 2020 que corresponde ao início do período da pandemia Covid-19. As mulheres representam a maior percentagem dos testes realizados, mas apresentam menor positividade.
Conclusão: A automatização da testagem possibilita uma metodologia laboratorial padronizada. Estes resultados poderão ser úteis para uma intervenção primária, secundária e terciária, nomeadamente: no seguimento e tratamento dos utentes. A realização de estatística da testagem laboratorial de sífilis, poderá assegurar um melhor conhecimento do comportamento da doença no contexto do diagnóstico da sífilis nas unidades de saúde.