Microbiologia Clínica
EVOLUÇÃO DAS INFEÇÕES POR MICOBACTÉRIAS NUM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO NORTE DE PORTUGAL
1º Autor: Ana Teresa Pinho
Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto
Coautores: Susana Ferreira: TSDT Especialista em Análises Clínicas e Saúde Pública, Serviço de Microbiologia da Unidade Local de Saúde de Santo António; Júlio Teixeira: TSDT em Análises Clínicas e Saúde Pública, Serviço de Microbiologia da Unidade Local de Saúde de Santo António, Luís Marques Silva – Médico Especialista em Patologia Clínica do Serviço de Microbiologia da Unidade Local de Saúde de Santo António, Hugo Cruz: Médico Especialista em Patologia Clínica, Serviço de Microbiologia da Unidade Local de Saúde de Santo António; Ana Paula Castro: Médica Diretora do Serviço de Microbiologia da Unidade Local de Saúde de Santo António
Resumo: As micobactérias são bacilos álcool-ácido resistentes divididos em dois grandes grupos: o Complexo Mycobacterium tuberculosis (MTC) e as Micobactérias Não Tuberculosas (MNT). A Tuberculose, cujo principal agente é o Mycobacterium tuberculosis, afeta um quarto da população mundial e causa elevadas taxas de morbilidade e mortalidade. Os objetivos deste estudo transversal, observacional e retrospetivo foram descrever demograficamente a evolução das infeções por micobactérias, ao longo de 6 anos, num Hospital Universitário no norte de Portugal. Foram recolhidos os registos laboratoriais dos indivíduos com suspeita de infeção por micobactérias e com exame micobacteriológico de produtos biológicos de diversos sistemas orgânicos. A compilação, registo e análise dos resultados foi efetuada no programa Microsoft Excel®. Foram identificados 548 indivíduos, dos quais 66,6% tinham Tuberculose, e desses, 69,3% eram do sexo masculino, facto relatado em estudos similares. A TB pulmonar foi a principal fonte de infeção, correspondendo a 79,5% dos casos, e 9,9% dos indivíduos apresentavam Tuberculose disseminada. A proporção de casos bacilíferos foi de 55,5%, pela análise dos exames diretos de rotina (Auramina-Rodamina). Dos 327 indivíduos com teste de suscetibilidade aos antibacilares (TSA) de primeira linha, a média das sensibilidades foi de 95,1%, seguida de alguns casos de monorresistência, polirresistência e um caso de multirresistência. Paralelamente à tendência decrescente de casos de Tuberculose, o aumento de MNT (contaminante versus infecioso) deixa em aberto um novo paradigma. Metodologias mais rápidas e sensíveis no diagnóstico laboratorial são fundamentais para a confirmação da doença, porque diminuem os tempos de resposta e direcionam o tratamento.