ANÁLISE RETROSPECTIVA DA SENSIBILIDADE À OXACILINA EM STAPHYLOCOCCUS AUREUS (2019-2024)

1º Autor: Liliana Coutinho Rodrigues

Unidade Local de Saúde do Alto Minho

Coautores: Sandra Vieira; Sílvia Malheiro; Manuela Rocha; José Mota Freitas – Unidade Local de Saúde do Alto Minho

Resumo

Introdução: O Staphylococcus aureus é um dos agentes patogénicos mais prevalente em humanos, representando um desafio clínico e uma preocupação significativa na saúde pública devido ao surgimento de estirpes resistentes à meticilina (MRSA).
Segundo o European Centre of Dicease Prevention and Control (ECDC), a taxa de MRSA em Portugal tem vindo a diminuir na última década, refletindo a eficácia das medidas de vigilância e controlo de infeção.

Materiais e Métodos: Foram analisados isolados clínicos de S. aureus obtidos entre 2019 e 2024 numa unidade hospitalar de Portugal.
A determinação da sensibilidade antimicrobiana foi realizada através de sistemas automatizados (Phoenix®/Vitek®), que utilizam métodos de microdiluição em caldo para calcular a concentração mínima inibitória (CIM) dos antibióticos.
De acordo com as recomendações do European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing (EUCAST), a cefoxitina é o marcador fenotípico de referência para deteção de resistência à meticilina. Nos sistemas utilizados, a interpretação da sensibilidade à oxacilina é derivada dos resultados da cefoxitina, sendo esta usada como agente indicador da presença de resistência mediada pelo gene mecA. Assim, os dados analisados correspondem à sensibilidade à oxacilina inferida a partir da cefoxitina, conforme registado na base de dados laboratoriais, Epicenter®.
A variação anual da sensibilidade foi avaliada por ANOVA, seguida do teste de Tukey HSD para comparações múltiplas entre períodos. Para avaliação da distribuição por tipo de amostra, foram analisados os grupos mais representativos, como hemoculturas, urina e exsudados purulentos. Nos exsudados purulentos, por ser o grupo com maior número de S. aureus isolados, comparou-se a sensibilidade à oxacilina entre os principais serviços contribuintes, Cirurgia e Ortopedia.

Resultados: A sensibilidade à oxacilina apresentou uma tendência crescente ao longo do período em análise. Em 2019, a sensibilidade foi de 65,64% aumentando para 85,35% em 2024 (p<0.05).
Observou-se um aumento progressivo da sensibilidade em urinas, hemoculturas e exsudados purulentos. Em Cirurgia e Ortopedia, a sensibilidade melhorou em ambos, com um padrão mais linear em Cirurgia e oscilações em Ortopedia, apesar da tendência global positiva.

Discussão: Os resultados evidenciam uma melhoria significativa da sensibilidade de S. aureus à oxacilina, refletindo a redução da prevalência de MRSA. Esta tendência acompanha os dados nacionais reportados pelo ECDC, que indicam uma diminuição sustentada das taxas de MRSA em Portugal.
A melhoria observada poderá estar relacionada com a implementação de políticas de controlo de infeção mais rigorosas, reforço das práticas de higiene das mãos e uso racional de antibióticos em ambiente hospitalar.

Conclusão: Observou-se uma evolução positiva da sensibilidade à oxacilina em S. aureus entre 2019 e 2024, acompanhando a tendência nacional de redução de MRSA. A manutenção desta evolução positiva depende do reforço contínuo das medidas de vigilância epidemiológica e do cumprimento das políticas de prevenção e controlo de infeção de forma a assegurar a eficácia terapêutica.