CANDIDÍASE VULVOVAGINAL: EXPERIÊNCIA NUM LABORATÓRIO COM ATIVIDADE MAIORITARIAMENTE AMBULATÓRIA

1º Autor: Márcia Maria Rompante Pimenta

Trofa Saúde, Patologia Clínica

Coautores: Paulo Silva, Trofa Saúde Patologia Clínica; Mónica Teixeira, Trofa Saúde Patologia Clínica; Luís Marques da Silva, Trofa Saúde Patologia Clínica e Serviço de Microbiologia, Unidade Local de Saúde de Santo António; João Oliveira Neves – Trofa Saúde Patologia Clínica e Serviço de Patologia Clínica, Unidade Local de Saúde de Braga; Hugo Cruz – Trofa Saúde Patologia Clínica e Serviço de Microbiologia, Unidade Local de Saúde de Santo António

Resumo

Introdução: A candidíase vulvovaginal (CVV) é uma infeção fúngica comum da mucosa genital feminina que afeta sobretudo mulheres em idade reprodutiva e que pode ser desencadeada por diversos fatores, tais como antibioterapia prévia, alterações hormonais e/ou imunossupressão. O objetivo deste trabalho foi calcular a prevalência e caracterizar a etiologia da CVV na população em estudo, de forma a gerar evidência para apoiar e orientar as escolhas de terapêutica antifúngica.

Material e Métodos: Estudo observacional, retrospetivo e unicêntrico baseado em todas as amostras do trato genital feminino submetidas a estudo micológico entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024. O exame cultural foi efetuado no meio cromogénico CHROMagar™ Candida (Chromagar), a 35±2°C, em atmosfera de aerobiose, com leitura em intervalos de 18-24 horas de incubação, durante 5 dias. A confirmação da identificação de espécies com coloração ambígua foi realizada através de métodos bioquímicos ou proteómicos (MALDI-TOF MS).

Resultados: No total foram incluídas 4661 amostras do trato genital feminino, das quais 58,1% (n=2709) se tratavam de exsudados endocervicais, 30,7% (n=1428) de exsudados vaginais e 11,2% (n=524) de exsudados uretrais. O exame cultural foi positivo em 22,5% (n=1050) dos casos, sendo que 86,1% (n=904) destes corresponderam a Candida albicans, 13,0% (n=137) a Candida não-albicans e 0,9% (n=9) a co-isolamentos de C. albicans + C. não-albicans. Os resultados discriminados por tipo de exsudados e espécie encontram-se sumarizados na Tabela 1.

Discussão e Conclusão: Os dados obtidos confirmam que a CVV é, na maioria dos casos, causada por uma única espécie de Candida, predominantemente C. albicans, o que se encontra em consonância com a epidemiologia global. A identificação laboratorial da espécie é fundamental para orientar a terapêutica antifúngica, dado que espécies de C. não-albicans podem apresentar menor suscetibilidade aos azóis e exigir estratégias terapêuticas alternativas. A confirmação laboratorial prévia ao início da terapêutica antifúngica é especialmente recomendada em casos de recorrência ou falência terapêutica. A vigilância contínua da etiologia e dos perfis de resistência antifúngica é essencial para otimizar os resultados clínicos da CVV.