CONTAMINAÇÃO DE HEMOCULTURAS NA URGENCIA: ANALISE DA TAXA DE CONTAMINAÇÃO E PRINCIPAIS PONTOS CRÍTICOS

1º Autor: Liliana Coutinho Rodrigues

Unidade Local de Saúde do Alto Minho

Coautores: Sandra Vieira; Sílvia Malheiro; Manuela Rocha; José Mota Freitas – Unidade Local de Saúde do Alto Minho

Resumo

Introdução: A contaminação das hemoculturas representa um desafio significativo na prática laboratorial, podendo resultar em diagnósticos incorretos e consequentemente tratamentos desnecessários, aumento da morbilidade e custos hospitalares.
De acordo com o Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI), a taxa de contaminação não deve ultrapassar 3%.
A fase pré-analítica do processo de colheita das hemoculturas tem um impacto direto na taxa de contaminação, tornando essencial a identificação e controlo dos pontos críticos que podem comprometer a fiabilidade dos resultados.

Materiais e Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo das hemoculturas colhidas no serviço de urgência de uma unidade hospitalar de Portugal entre 1 de junho de 2023 e 31 de maio de 2024, considerando apenas pacientes adultos.
A taxa de contaminação foi calculada e apresentada com intervalo de confiança de 95% (IC95%).
Com base na literatura, foram identificados os possíveis fatores críticos que contribuirão para esta elevada taxa de contaminação.

Resultados: A taxa de contaminação observada foi de 6,89% (IC95%: 5,82–7,96%), valor superior ao limite recomendado pelo CLSI.
De acordo com a literatura, os pontos sensíveis que poderão contribuir para esta elevada taxa de contaminação são: o incumprimento do protocolo de colheita não respeitando a assepsia da pele (uso incorreto do antisséptico, repalpação do local após desinfeção), a não desinfeção do septo de borracha dos frascos, uso de material não estéril, a colheita em apenas um local de punção e a colheita através de cateteres intravasculares.

Discussão: A taxa de contaminação observada é mais do que o dobro do valor de referência, evidenciando a necessidade de identificação e análise de fatores que podem contribuir para essa contaminação e a implementação de um protocolo detalhado. A monotorização do processo de otimização das técnicas asséticas da colheita, a formação contínua dos profissionais de saúde e a adesão a protocolos são medidas fundamentais para reduzir a taxa de contaminação.
A colaboração multidisciplinar entre laboratório, enfermagem e controlo de infeção é determinante para a obtenção de resultados laboratoriais mais precisos e seguros. Serão necessárias estratégias consertadas entre os diferentes intervenientes (laboratório de microbiologia, PPCIRA e enfermagem) com vista à redução destas fontes de contaminação.

Conclusão: A taxa de contaminação das hemoculturas na urgência encontra-se acima do valor recomendado, reforçando a necessidade de revisão dos procedimentos pré-analíticos.
A implementação de protocolos uniformizados e a monitorização sistemática do processo de colheita são medidas essenciais para garantir resultados laboratoriais mais fiáveis e contribuir para a melhoria contínua da qualidade assistencial.