1º Autor: Margarida Pargana
ULS Gaia / Espinho
Coautores: Patrícia Pedrosa, Elvira Silva, Emília Ferreira, Agostinho Lira – ULS Gaia / Espinho
Resumo
Introdução: Listeria monocytogenes é um bacilo Gram-positivo curto, que se apresenta isolado ou em cadeia. Trata-se de uma bactéria anaeróbia facultativa, dotada de elevada capacidade de sobrevivência em diferentes condições ambientais, e responsável por doença invasiva grave. Esta manifesta-se sobretudo sob a forma de meningite, meningoencefalite e bacteriemia. Os fatores de risco para o desenvolvimento de listeriose incluem idade superior a 65 anos, patologias como a doença renal e hepática, bem como determinadas terapêuticas como os inibidores da bomba de protões e corticoterapia.
Material e Métodos: Foram selecionadas todas as amostras laboratoriais com isolamento de Listeria monocytogenes e Listeria spp. registadas no sistema informático Sislab® entre 31/12/2014 e 31/12/2024. Procedeu-se à revisão em SClínico® dos respetivos processos clínicos para recolha de variáveis demográficas, condições predisponentes, amostras onde ocorreu o isolamento do microrganismo e desfecho clínico.
Resultados: Foram identificados 29 casos de infeção por Listeria monocytogenes (n=27) e Listeria spp. (n=2), dos quais 14 (48,3%) no sexo feminino. A média de idades foi de 74,34 anos (40 a 95 anos). A maioria dos casos teve proveniência no Serviço de Urgência. Todos os doentes apresentavam pelo menos um fator de risco para infeção. Os fatores de risco registados foram: idade superior a 65 anos (79,3%), uso de inibidores da bomba de protões (44,8%), Diabetes Mellitus (34,5%), doença renal crónica (31,0%), tumores sólidos (31,0%), doença hepática (24,10%), neoplasia hematológica (17,2%), alcoolismo (6,9%), quimioterapia (3,4%), corticosteroides (3,4%) e gravidez (3,4%).
Na maioria dos casos o isolamento foi realizado numa amostra de hemocultura (79,3%), os restantes casos foram isolados em líquido cefalorraquidiano (20,7%). A evolução destes 29 casos culminou com a morte em 51,7% (n=15) dos doentes.
Discussão: A listeriose afeta sobretudo as grávidas e indivíduos nos extremos da idade (recém-nascidos e idosos), bem como doentes com comorbilidades relevantes. A terapêutica com corticosteroides ou outros imunossupressores constituem também fatores de risco significativos. A toma de inibidores da bomba de protões tem igualmente sido associada a maior suscetibilidade à infeção por Listeria spp., possivelmente pela alteração da barreira gástrica ácida. Dentro destes resultados destaca-se o caso de uma utente grávida, com Listeria monocytogenes isolada numa hemocultura, que apresentou sépsis e teve como desfecho a morte fetal.
Conclusão: Embora a infeção por Listeria spp. possa, ocasionalmente, ocorrer em indivíduos previamente saudáveis, a maioria dos casos de doença invasiva sistémica surge em indivíduos com uma ou mais condições de risco, frequentemente associados a maior mortalidade. Estes resultados reforçam a necessidade de implementação de medidas preventivas e sanitárias, principalmente na população de risco.