Microbiologia Clínica
PCR MULTIPLEX: FAZ A DIFERENÇA EM QUANTAS HORAS?
1º Autor: Marisa Botelho
Unidade Local de Saúde do Oeste
Coautores: Maria Jesus Paulino, Maria Lucas, Adília Vicente – ULS Oeste
Resumo
Introdução: Sépsis é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infeção. O tempo até iniciar uma terapêutica eficaz é um dos principais fatores determinantes da mortalidade em doentes com sépsis. A hemocultura é o padrão de referência para o diagnóstico microbiológico de infeções na corrente sanguínea (1-3).Nos últimos anos, surgiram novas técnicas para identificação de agentes patogénicos, como o PCR multiplex (4). Este estudo compara os tempos na obtenção da identificação do agente patogénico no BIOFIRE® Blood Culture Identification 2 (BCID2) Panel (Biomérieux) com o método de cultura tradicional.
Métodos: Amostras de hemocultura de doentes hospitalizados num hospital português com suspeita de sepsis foram estudadas por 1 ano (junho 2024-junho 2025). Os doentes com história clínica reservada e/ou fatores de risco major, com uma garrafa de hemocultura positiva e coloração de Gram sugestiva de presença de microrganismos patogénicos foram selecionadas para identificação por painel PCR multiplex.As 35 amostras selecionadas foram analisadas por duas metodologias:– Método de cultura tradicional e identificação pelo Vitek 2® (Biomérieux)– PCR Multiplex com BIOFIRE® BCID2 Panel
Resultados: Os tempos de resposta em horas das duas metodologias estão registados na tabela 1 (em anexo).Com um tempo médio de resposta pelo método cultural e identificação pelo Vitek 2® de 77 horas e pela BIOFIRE® BCID2 Panel de 48 horas, por doente.
Conclusão: A metodologia PCR multiplex permitiu uma identificação mais rápida de agentes patogénicos em amostras de hemoculturas positivas em 29 horas, em média, por doente. Além disso, o painel BCD2 permite também a deteção de genes de resistência a antibióticos, o que orienta a escolha da terapêutica adequada até ao resultado final dado pelo exame cultural. O método de cultura continua a ser o método de referência, mas a combinação das duas abordagens melhora o prognóstico da bacteremia em doentes críticos.