1º Autor: Mariana Nobre Romanholo
ULS Matosinhos
Coautores: L. Neto1, M. João Gonçalves1, A. Read2 1Hospital Pedro Hispano, Infectious Diseases, Matosinhos, Portugal, 2Hospital Pedro Hispano, Clinical Pathology, Matosinhos, Portugal
Resumo
As fluoroquinolonas são antibacterianos de amplo espetro, com elevada biodisponibilidade oral e boa penetração tecidular. A ciprofloxacina (CIP), uma fluroquinolona de segunda geração, tem uma elevada eficácia, sobretudo, para bacilos Gram-negativo, mas apresenta menor eficácia contra bactérias Gram-positivo. A levofloxacina (LEV), uma fluroquinolona de terceira geração, apresenta um espetro de ação mais eficaz tanto para bactérias Gram-negativo como para bactérias Gram-positivo, com a vantagem de um regime posológico de toma única diária.
Este trabalho teve como objetivo comparar os perfis de suscetibilidade da CIP e da LEV em estirpes de Enterobacterales de forma a clarificar a pertinência clínica e laboratorial de testar simultaneamente ambos os antibióticos, uma vez que, por rotina, o teste de susceptibilidade à LEV não é realizado. Para tal, entre junho 2024 a julho 2025, estudaram-se 80 estirpes de Enterobacterales: Escherichia coli (N=43; 53,8%), Klebsiella pneumoniae (N=8; 42,5%), Proteus mirabilis (N=2; 2,5%) e Klebsiella oxytoca (N=1; 1,2%). Inicialmente, os testes de suscetibilidade foram realizados pelo sistema automatizado VITEK®2 AST N355 (a única quinolona presente na carta é a CIP). Para confirmação dos resultados, foi utilizada uma metodologia complementar por método de difusão, com tiras de gradiente de concentração para ambas as fluoroquinolonas. Observou-se concordância em 87,5% (N=70) dos casos; em 100% das estirpes sensíveis à CIP (N=56), verificou-se uma suscetibilidade concomitante à LEV. 12,5% (N=10) das estirpes foram resistentes ou intermédios à CIP, mas sensíveis à LEV. Não se identificaram estirpes resistentes à LEV e sensíveis à CIP.
Estes resultados sugerem que a suscetibilidade à LEV pode ser inferida a partir da CIP, não havendo benefício evidente em testar, por rotina, a suscetibilidade à LEV. No entanto, quando existe resistência à CIP e a utilização de LEV é clinicamente relevante, a confirmação laboratorial é recomendada.