1º Autor: Diogo Rafael da Silva Brito
Escola Superior de Saúde Do Porto
Coautores: Cláudia Raquel Freixo Jeremias Zenha; Susana Cláudia de Matos Lima Ferreira; Hugo Filipe Bento da Cruz; Luís Marques Silva – Unidade Local de Saúde de Santo António
Resumo
Introdução: A tuberculose pulmonar (TBP) permanece um relevante problema de saúde pública, sobretudo em populações vulneráveis. Apesar das estratégias eficazes de prevenção e tratamento, o seu diagnóstico continua a ser desafiante devido à inespecificidade dos sintomas.
Objetivos: Caracterizar os doentes diagnosticados com TBP entre 2017 e 2022 e identificar associações estatisticamente significativas entre TBP e potenciais fatores de risco sociodemográficos, comportamentais e clínicos associados à doença.
Métodos: Estudo observacional, transversal e analítico. Incluíram-se 222 doentes com TBP confirmada por cultura e 111 controlos emparelhados por idade e sexo. Foram recolhidas variáveis sociodemográficas, clínico-biológicas e comportamentais a partir de registos clínicos anonimizados. As associações foram avaliadas com o teste do qui-quadrado e calculou-se OR com IC 95%; p<0,05 foi considerado significativo.
Resultados: A análise dos dados revelou que a amostra de doentes com TBP era maioritariamente do sexo masculino (75,7%), com idades entre os 48 e os 63 anos (36,0%). Verificou-se associação estatisticamente significativa entre TBP e nacionalidade portuguesa (OR = 2,60 ), estado civil não casado (OR = 1,96 ), problemas socioeconómicos (OR = 2,81 ), anemia (OR = 1,93 ) IMC baixo (OR = 5,07 ) e consumo de drogas ilícitas (OR = 1,84). O IMC elevado (OR = 0,19 ) revelou um efeito protetor. As restantes variáveis analisadas não demonstraram associações estatisticamente significativas com a doença.
Conclusão: Apesar dos avanços na prevenção da tuberculose em Portugal, a doença ainda não está totalmente controlada. Este estudo identificou fatores de risco relevantes para o desenvolvimento de TBP na população em estudo, destacando a importância de reconhecer populações vulneráveis. Para melhorar o controlo da TB, é essencial investir em estratégias integradas, melhorar o registo de dados clínicos e adotar metodologias mais robustas em futuras investigações, incluindo o estudo de outras formas de TB extra pulmonares